“Onda grande a gente enfrenta mergulhando”…
Descobri que eu gosto de clichês. Gosto de voltar a algumas coisas que já ouvi ou já falei antes pra procurar (re)significados.
Talvez estar aqui nesse lugar frio, úmido, sem janelas com vistas ou grandes oportunidades de ver o SOL, seja uma referência a estar passando por um momento de mergulho. O momento onde eu preciso realmente estar um pouco mais introspectiva para conseguir enxergar as coisas que acontecem fora daqui.
Olhar para dentro, olhar para as paredes (limites?) olhar para os lugares (internos ou externos – físicos ou estado de espírito), olhar para as raízes e me enxergar de um lugar de submissão, de reverência à ancestralidade… o lugar que parece frio na verdade só está sem luz.
É engraçado falar de luz né? Luz e sombra são coisas complementares, então a sombra é a ausência da luz O que é que está sem luz? Como é que a gente deixa a luz entrar sem romper paredes, barreiras ou forçar janelas que não existem nessa construção?
A beleza desse contraste de luz e sombra, frio e calor, força e calmaria me encanta tanto quanto a grandiosidade do mar. Lembro de ser resiliente, como as águas, como boa filha das marés e dos ventos.
Sabe o ímpeto de mergulhar pra conseguir pegar impulso e voltar à superfície depois de uma onda grande? Voltar à base (nossa casa ou lugar de origem), é como se fosse um impulso do mergulho, como se fosse o lugar onde a gente prende a respiração pra tomar fôlego, para conseguir restabelecer recomeços. Às vezes a vida nos dá “um caldo” e precisamos de certo esforço pra sair desse emaranhado de sensações sem o trauma de não querer nadar de novo.
Quase se afogar nos ensina a mudar nossa respiração. Ensina também a controlar braçadas, esforços, guardar energia. A vista de quem sai do mergulho vem de outro lugar e o que estava na superfície antes já pode ter mudado de novo. Pra que lado se vai depois disso? Sentar na areia e ver a vida passar, sem pressa, ou caminhar por ela, apreciando o vento, a textura, a paisagem, agradecendo por ter voltado.
Às vezes a gente esquece de respirar durante o processo e aparece quem nos lembre que ainda temos fôlego, ou ainda, que quando a gente volta do mergulho, não tem problema se a gente tá descabelado, molhado ou com frio. Tudo muda. Daqui a pouco a gente vai estar seco de novo, em outro lugar, se preparando para um outro mergulho.
Passo pelos últimos 4 dias como quem mergulha em um lado do oceano e sai à margem de outro, seja porque escolheu mudar sua visão e avançar alguns episódios dessa história ou navegar por outros mares, com outros olhos. Ou ainda, como alguém que estava se afogando e foi puxado por outras pessoas. Pessoas que me viram mergulhar e que me resgataram, mesmo conhecendo apenas a versão que entrou segundos antes. Sim, um mergulho de segundos pode mudar ou interromper uma vida toda.
Te vigos cosilim...
(a veia publicitária latente aqui não me deixa encerrar sem um gancho pra um próximo capítulo. Que pode não ser o próximo, sequencialmente falando, mas que se apresentará quando tiver respiro pra isso)
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